Coletivo do Cerrado

Cerrado da UFSCar


Proposta e justificativa

A conservação do cerrado não é incompatível com as demandas do câmpus. O que sugerimos é que a expansão ocorra sobre os eucaliptos e não sobre o cerrado. Como mostrado em seu vídeo institucional, a conservação do meio ambiente é uma das preocupações da universidade, e esta é uma ótima oportunidade da universidade dar o exemplo.

A Ufscar possui uma política louvável de expansão, que inclui o aumento de cursos de graduação e pós-graduação, aumento de vagas no vestibular e construção de novas instalações físicas. Porém, entendemos que a expansão da universidade deve obedecer à legislação ambiental, além de ser um modelo de crescimento sustentável para a sociedade. Desde 2007, temos discutido a proposta apresentada pela administração de ocupar uma área de cerrado da universidade. A supressão desse fragmento terá um impacto imediato e irrecuperável, visto que várias populações de plantas e animais serão afetadas, sem nenhuma garantia de que se reestabelecerão em outra área.

As propostas apresentadas para compensar a área a ser desmatada estão longe de serem aceitáveis, visto que envolvem a troca de uma área bem preservada, importante, com espécies em extinção, por outra a ser recuperada, o que, se acontecer, levará algumas décadas. Outra proposta que ainda consideramos inaceitável é a construção de um corredor urbano que atravessará a área de cerrado. Além de suprimir uma quantidade considerável de vegetação, a passagem de animais de um lado para outro do fragmento ficará seriamente comprometida, influenciando diretamente na reprodução das espécies e limitando o fluxo gênico entre as populações existentes no local. Além disso, o excesso de luminosidade, ruídos, trânsito de pessoas e veículos afetará o ciclo de vida de muitos seres.

Por esses motivos, um grupo de professores e alunos da universidade se posicionaram contra a destruição do fragmento de cerrado. Sugerimos que a universidade adote a política recomendada por Machado et al. (2004) de desmatamento zero. Infelizmente chegamos a um ponto no estado de São Paulo em que o cerrado está a beira do colapso e, neste caso, todo fragmento que ainda existir deve ser conservado.