Estado de conservação do Cerrado
O cerrado é um tipo vegetacional que vem sendo destruído a taxas cada vez mais elevadas e que, via de regra, é ‘esquecido’ (Marris 2005, The forgotten ecosystem. Nature 437: 944-945). Considerado uma das áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade (Myers et al. 2000, Biodiversity hotspots for conservation priorities. Nature 403: 853–858), o cerrado deverá ser totalmente destruído até 2030 se sua perda anual se mantiver nos níveis atuais (Machado et al. 2004, Estimativas de perda da área do cerrado brasileiro. Conservação Internacional, Brasília). O cerrado ocupava originalmente 14% da área do estado de São Paulo; hoje ele ocupa apena 1,17% da área do estado e está distribuído em inúmeros fragmentos isolados (SMA 1997, Cerrado: bases para conservação e uso sustentável de cerrado no estado de São Paulo. Secretaria do Meio Ambiente, São Paulo), a maior parte dele com menos de 400 Ha (Durigan 2006, Observations on the southern cerrados and their relationship with the core area; em Pennington et al., Neotropical savannas and seasonally dry forests. CRC Press, Boca Ratón). Por exemplo, na região de São Carlos, houve, entre 1962 e 1992, uma redução de 115.000 ha de cerrado, ou 93% da área original (Kronka et al. 1998, Áreas de domínio de cerrado no estado de São Paulo, Secretaria do Meio Ambiente, São Paulo). Nas décadas de 1960 e 1970, grande parte do cerrado foi destruída pelo próprio estímulo de políticas públicas, como a silvicultura incentivada (Kronka et al. 1998). Essa situação se repetiu no campus de São Carlos da UFSCar nos anos 1990, quando boa parte da cobertura vegetal de cerrado ali existente foi substituída por silvicultura de eucalipto. Sendo assim, a conservação de todo e qualquer fragmento de cerrado no Estado de São Paulo é urgente.
