O Cerrado, um dos hotspots do planeta e um dos principais biomas do Brasil, é, também, um dos menos conservados. Uma porcentagem muito pequena dele encontra-se em reservas naturais, e mesmo estas não estão livres de influência antrópica.
No Estado de São Paulo, este bioma está presente na forma de uma península se extendendo a partir do norte do Estado. A maior parte do bioma está em fragmentos cujo tamanho varia de 20 a 2 000Ha. Embora possa parecer que fragmentos pequenos não são importantes para a conservação do Bioma, de acordo com um documento emitido pela Conservação Internacional, a única forma de evitar a extinção do bioma prevista para 2030 é reduzir o desmatamento a zero.
Na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) existe uma área de pouco menos que 100Ha de Cerrado, variando de campo sujo a cerrado sensu strictu (conforme observação pessoal minha, a classificação pode variar conforme autor) (ver mapa). Existem, no entanto, planos da expansão da Universidade justamente para esta área (Mapa da expansão, um pouco desatualizado). As justificativas para esta expansão são várias - necessidade de ampliar cursos, ampliar pesquisa... As justificativas para se expandir para o Cerrado também são várias - questões topográficas, permitindo que o esgoto flua pela força da gravidade; questões de proximidade da área já urbanizada; questões financeiras, devido ao "alto" custo de construção de redes de fibra óptica e outros para construir na área de eucalipto ao norte do cerrado.
Deve-se frisar que ninguém de nós é contra a expansão da Universidade. Nós somos contra a expansão como planejada - ou não planejada -, destruindo metade do cerrado e deixando a outra metade sob um grau muito alto de impactação. Deve-se notar que estudos sobre efeito de borda e sobre fragmentação em cerrado são relativamente escassos, de modo que, embora não possamos afirmar que os efeitos da fragmentação serão muito negativos, tampouco podemos falar que eles serão pequenos; levando em conta a densidade relativamente alta de algumas partes deste Cerrado e os estudos sobre efeito de borda em floerstas mais fechadas, é provável que os efeitos possam realmente ser muito ruins.
Por pressão de professores e estudantes, principalmente da área de Ciência Biológicas, a decisão sobre o desmatamento ou não do cerrado foi adiada para agosto; no começo de junho, a expansão para o cerrado era certa, a única dúvida sendo qual área será averbada. A localização de um centro de pesquisas financiado pela Petrobrás que precisava ser construído com mais urgência foi posta em votação (em 25 de junho), e foi votado que ele não será construído no Cerrado. Há, no entanto, muitas outras construções planejadas, e estas podem ainda ser construídas em área atualmente ocupada por vegetação nativa em estado avançado de regeneração.
Levando em conta a importância do bioma em nível local, nacional e até mesmo mundial, nós do Grupo de Defesa do Cerrado da UFSCar (este não é o nome oficial do grupo) lutamos para que a expansão não ocorra para o Cerrado. Este site é uma forma de divulgar o que está acontecendo, e também pedir ajuda na nossa luta; mais informações sobre esta última parte estarão disponível em breve.
Aqui serão colocadas algumas referências, externas e internas, sobre o bioma Cerrado.